Senso de coletividade, você tem?

Avenida-Paulista-SaoPaulo

Há algumas semanas tenho tido uma conversa curiosa com a minha irmã sobre senso de coletividade (assim como chamei este post) e todo dia, penso em algo relacionado a isso. Talvez seja pelo fato de morar em uma cidade grande, como São Paulo, que esfrega na minha cara a todo o momento o quanto isso é importante em nossa maturidade social. Falo devido à experiência de viver há 20 e poucos anos em uma sociedade ainda juvenil, com menos de 500 anos de vida.

O que seria esse tal de senso de coletividade, afinal?

Já vi em algumas empresas que trabalhei informativos, adesivos e cartazes espalhados por todas as dependências, incentivando atitudes esperadas dos que leem. E quando falo espalhados, são espalhados mesmo. De banheiros a mesas de restaurantes, de elevadores a bebedouros. Como: “Depois de você, outras pessoas vão usar este espaço. Que tal deixar tudo como gostaria de encontrar?”.

Quantas vezes você já passou por situações como estar em um cruzamento, onde um motorista tentou aproveitar o farol e ficou parado no meio da rua impedindo o fluxo da outra via? Ou nos horários de pico, no metrô, onde aquele atrasado e apressado cidadão ouve o sinal da porta fechando, corre, segura a porta, empurra os demais usuários que estão dentro do vagão, entra todo esbaforido e pronuncia o jargão: “Desculpa, mas tô atrasado!”? Leu em algum jornal ou revista, matérias que descrevem escândalos públicos de desvio de recurso federais, estaduais ou municipais? Assistiu a algum noticiário na televisão, cuja reportagem citava um assalto seguido de morte de um jovem estudante, praticado por outro jovem, menor de idade? Acho que sim.

Isso acontece por um simples motivo: falta de senso coletivo.

E o que isso tem a ver com design?

Desenvolvemos soluções para serem usadas por pessoas, que vivem em nossas cidades, nossos países e nosso planeta. Logo, somos afetados pelo que criamos, direta ou indiretamente, querendo ou não. Temos a responsabilidade de criar meios de ampliar o impacto positivo de nossos projetos, assim como meios de minimizar os impactos negativos. Isso é design. Criar soluções que contribuam com a evolução da sociedade em que vivemos. Como cidadãos, como pessoas e como designers podemos contribuir para uma sociedade mais funcional, mais fluída e mais orgânica.

Pense.

E talvez depois de ler tudo isso, você esteja aí, se perguntado por que ainda não temos um senso de coletividade mais evoluído. Talvez seja por que as pessoas não se sentem pertencer àquilo que as rodeiam. Mas isso é assunto para outra conversa…

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O momento do Brasil é Agora!

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Seguindo o tema do meu post anterior, vou falar do momento favorável do Brasil. Temos em território verde e amarelo, os dois eventos esportivos mais importantes do mundo, o que é extraordinário, mesmo com outras diversas prioridades que existem no país.

A crise econômica americana e europeia propiciou um destaque maior ainda ao Brasil. Deixamos de ser o país do futuro para ser o país do agora e pertencente ao BRINC. Mas o nosso momento não está na oportunidade deixada pela crise dos países europeus como Espanha, Grécia e sim pelo colapso do capitalismo. O sociólogo Domenico de Masi concedeu entrevista ao programa Roda Viva em Janeiro de 2013 e abordou o cenário atual e seu futuro. Domenico tem uma opinião que vai de encontro com algo que penso desde que assisti o documentário do Jacque Fresco The Venus Project: The Redesign of a Culture de 1994. O projeto Venus reestrutura o sistema, buscando a igualdade em um sistema de colaboração e a luz em direção a isso é o momento atual onde a posse de um produto perde sua importância perante a sua função, serviço. Encontramos diversos sites de trocas de produtos que não usamos, crowdfunding, novos modelos de banco, redes sociais e suas ferramentas para compartilhar momentos e informação. Tanto Domenico, quanto Jacque concordam que a resposta para o mundo não está no sistema capitalista.

Esse post foi inspirado por uma constatação do Domenico de Masi, sobre nosso país que por 450 anos utilizou o sistema europeu e nos últimos 50 anos o Norte Americano e ambos são falhos.
Assim como uma empresa não usa um modelo de negócio que não está mais adequado ao seu momento, o mundo não pode seguir em um modelo que tem seus conceitos uma situação irreal, como demanda, recursos e expansão infinita. Por isso estamos em um momento oportuno de retribuir ao mundo esses 500 anos onde utilizamos os sistemas deles e propor o nosso. Domenico e eu concordamos que o Brasil tem capacidade para tanto e nós designers temos papel de destaque nesse momento. O caminho não é nada fácil, de longe é o desafio mais complexo que o Brasil já encarou, mas a recompensa será um mundo mais sustentável e harmônico.

@roman_o

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