É meu?

Praça Júlio de Mesquita

Praça Júlio de Mesquita

Continuando o assunto abordado pelo Otávio no post senso de coletividade, gostaria de abordar agora o senso de posse, ou a falta dele no nosso caso. Recentemente fiz uma viagem pela Europa e procurei observar os costumes, a estrutura e cultura dos países que visitei e o senso de posse neles é muito diferente do nosso.

Somos uma sociedade nova, a vantagem em séculos deles para evoluir não pode ser desconsiderada, porém não é nem de longe o motivo de tudo ainda ser como é por aqui. Mas uma citação que me marcou no colégio foi saber que na Europa da idade média era comum as pessoas na cidade jogarem os restos das refeições pela janela, como consequência ocorreram epidêmias que ceifaram milhares de vidas. Foi a custa de fatos com consequências sérias que houve uma mudança cultural e social; e os resultados são cidades limpas, zelo pelos espaços públicos e monumentos. O que eles perceberam a custa das consequências e nós temos acesso pela história sem precisar sofre-las, é que em uma cidade, tudo nos pertence e tudo nos afeta.

Em nossa sociedade brasileira temos uma bolha cultural que nos faz pensar que fatos que não nos afetam diretamente, com reação imediata ou digamos um “dano de primeiro grau” a nossa família, então não nos diz respeito. Parece que nossa casa é outro país, praticamente uma outra dimensão com regras exclusivas de educação e civilidade. Temos um comportamento completamente diferente dentro e fora dos nossos lares. O cuidado que temos com nossa mobilia, no manuseio dos nossos aparelhos, com a limpeza do chão dos comodos da nossa casa não se reflete da porta de casa para fora. Se apenas esse sentimento de posse fosse estendido, se nós entendêssemos que tanto a nossa casa, como as calçadas, as ruas, as praças do nosso país nos pertecem igualmente e portanto as mesmas regras de educação se aplicam, o Brasil seria muito diferente.

Quando esse dia chegar, talvez possamos usufrir de nossos monumentos, praças, parques, sem que haja a necessidade de proteção como essa da foto de destaque do post. Iniciaremos também um projeto aqui sobre o tema, logo mais apresentaremos a vocês. Até lá! 😉

@roman_o

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4 comentários sobre “É meu?

  1. Muito legal! Encontrei esse e o outro texto em uma busca de inspirações para escrever justamente sobre a falta de preocupação com o coletivo, pois participo de um projeto que liberta livros em espaços públicos e vejo a dificuldade de quebrarmos essa cultura aqui no Brasil. Obrigada pela contribuição ^^

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